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📰 Cléber Di Oliva: uma história de luta, talento e sucesso
Do campo aos palcos
Quem vê o ônibus personalizado com o nome de Cléber Di Oliva circulando pelas estradas do Brasil dificilmente imagina os desafios que ele enfrentou até conquistar o sucesso.
Nascido como Antônio José Correa, em São Joaquim da Barra (SP), Cléber mudou-se para Guaíra em 1976 com os pais, José Cordeiro e Eni. A família passou a viver na Fazenda Jacaré, onde trabalhava na agricultura em terras arrendadas.
Desde pequeno, Antônio já chamava atenção pela semelhança com o cantor Zezé Di Camargo, fato que anos depois seria retratado no filme Os Filhos de Francisco.
Além de cantor, Cléber também se destacou como compositor. Suas músicas foram gravadas por artistas como Trio Parada Dura, Joaquim & Manoel, Pit Stop e Mil Motivos. Ao longo da carreira, acumulou mais de 300 canções gravadas por intérpretes do sertanejo romântico tradicional.
Em parceria com Cleiton, conquistou dois discos de ouro. O primeiro veio em 1995 com a música “Quando a Noite Chega”, gravada por Elias Muniz. O segundo foi com “Eu Quero Este Amor”, composição de Pinóquio, que alcançou grande sucesso na voz da dupla.
Infância simples e paixão pela música
A vida na Fazenda Jacaré exigia esforço desde cedo. Para estudar, Cléber caminhava cerca de cinco quilômetros por estradas de terra até a rodovia Assis Chateaubriand, onde pegava o ônibus para a escola.
As viagens eram longas. Ele saía de casa pela manhã e retornava apenas à noite. As lembranças incluem muita poeira vermelha nas estradas e caminhadas iluminadas apenas pela lua ou pelos faróis de veículos.
Mesmo diante das dificuldades, a música já fazia parte de sua vida. Aos 12 anos, participava de programas de auditório da Rádio Cultura de Guaíra, transmitidos diretamente do Cine Ouro Branco.
Mais tarde, passou a se apresentar em outros espaços da cidade, como o Centro Social Urbano, ao lado de artistas locais. Nessa época, cantou com Batista e Pedrinho Sanfoneiro e integrou diversos grupos musicais da região.
O início da carreira profissional
Determinado a seguir carreira artística, Cléber gravou seu primeiro LP com doze composições próprias. Nesse trabalho, utilizou o nome artístico Romeu e formou dupla com Kazé, de Muzambinho.
O grande passo aconteceu quando conheceu Cleiton, de Araçatuba. A parceria surgiu após ambos serem escolhidos para integrar uma formação ligada à família Camargo.
Em 1991, Cleiton e Cléber uniram seus talentos e lançaram o primeiro disco pela BMG, produzido pelo também guairense César Augusto.
O sucesso veio rapidamente. O álbum ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas, rendendo à dupla o primeiro disco de ouro. Na época, Cléber tinha apenas 18 anos.
Ao longo da carreira, gravou seis CDs e dois LPs.
Os anos difíceis
Antes do reconhecimento nacional, Cléber enfrentou muitas dificuldades.
Quando decidiu seguir a carreira artística, precisou convencer o pai, que acreditava que a música era uma aventura sem futuro. Mesmo assim, insistiu e mudou-se para Americanópolis, em São Paulo.
Durante o dia, trabalhava em uma marcenaria lixando madeira. À noite, cantava em casas de show e hotéis.
Muitas vezes perdia o último metrô e precisava dormir em condições improvisadas. Em algumas ocasiões, o proprietário de um hotel permitia que ele passasse a noite próximo à casa de máquinas do elevador.
Apesar do desconforto, do frio e das dificuldades financeiras, Cléber manteve o foco em seu sonho.
Sua perseverança acabou sendo recompensada.
Família
A vida pessoal também trouxe momentos marcantes.
Cléber foi casado por 14 anos com Rosânia Alves de Lima, com quem teve três filhas: Michele, Kelen e Anna Caroline.
Após o falecimento de Rosânia, ele assumiu sozinho a criação das filhas.
Com o passar dos anos, todas construíram suas próprias carreiras. Michele tornou-se comissária de bordo internacional, Kelen seguiu carreira como comissária de voos nacionais e Anna Caroline passou a trabalhar na Nike.
Novas conquistas
Os dois discos de ouro e as centenas de músicas gravadas consolidaram o nome de Cléber Di Oliva na música sertaneja.
Entre 2008 e 2010, trabalhou ao lado da dupla Bruno & Marrone, realizando apresentações em diversos estados brasileiros, como Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Paraná e Tocantins.
Nesse período, participou de cruzeiros pela costa brasileira e abriu vários shows da consagrada dupla.
Após uma pausa entre 2012 e 2013, retornou aos palcos em 2014. Mudou-se para São Paulo, lançou um novo CD solo e retomou as apresentações pelo país.
Hoje, Cléber Di Oliva continua fazendo o que mais gosta: levar sua música ao público, mantendo viva uma trajetória construída com trabalho, talento e muita perseverança.
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