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Elizabete Alves Ferreira Ribeiro, conhecida em Guaíra como professora Betinha ou Dona Betinha, construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao ensino e, posteriormente, à advocacia. Foi a primeira mulher a exercer a profissão de advogada no município, após mais de cinco décadas dedicadas ao magistério.
Nascida em uma família de servidores públicos, é filha de Sebastião Alves Ferreira, funcionário municipal que atuou como tesoureiro, e de Nilcéa Alves Ferreira. Iniciou os estudos no então Grupo Escolar de Guaíra, posteriormente denominado Escola Francisco Gomes de Souza. Deu continuidade à formação em Barretos, no Colégio Maria Auxiliadora, onde concluiu o Curso Normal. Durante esse período, participou das aulas práticas de formação de professores, que incluíam a condução de aulas demonstrativas perante colegas e docentes.
Recebeu o diploma de professora aos 16 anos e iniciou a carreira na Fazenda Glória, deslocando-se diariamente de ônibus e completando o trajeto até a escola a pé. Ao longo de 51 anos de atuação no magistério, lecionou em diversas escolas primárias de Guaíra, ministrou aulas em cursos preparatórios para o exame de admissão ao ginásio nas décadas de 1950 e 1960 e encerrou a carreira na Escola Estadual Irmão Curumim, onde permaneceu por quinze anos. Também lecionou no Colégio Objetivo de Ribeirão Preto entre 1991 e 1992.
Mesmo exercendo a profissão de professora, manteve os estudos de forma contínua. Conquistou cinco diplomas nas áreas de Curso Normal, Magistério, Pedagogia, Letras e Direito. A graduação em Direito foi realizada em Bragança Paulista, exigindo frequentes viagens de ônibus para acompanhar as aulas, conciliadas com o trabalho em Guaíra. Nos períodos de provas, afastava-se temporariamente das atividades escolares para dedicar-se integralmente aos estudos.
Após formar-se, tornou-se a primeira advogada de Guaíra. Passou a atuar em escritório próprio ao lado do marido, Antônio Gasparino Ribeiro, ex-bancário, e da filha, Emiliana Alves Ferreira Ribeiro, ambos também formados em Direito.
A história da família também está ligada a um dos imóveis históricos da cidade. Dona Betinha residiu em um casarão em estilo colonial, construído em 1906 por seu bisavô, Joaquim Justino Vieira, localizado na esquina da Rua 8 com a Avenida 3. No período em que o relato foi registrado, ela vivia no imóvel com o marido e a mãe, Nilcéa Alves Ferreira, nascida em 1917.
A trajetória de Dona Betinha reúne décadas de atuação na educação e na advocacia, refletindo o investimento permanente na formação acadêmica e a participação em duas áreas que marcaram sua vida profissional e a história de Guaíra.
Fontes:
“Muito Além de Alfa” – Ovídio Nascimento
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