- Contato do Portal : (+55) 17 99188 3161
- contato@guaira100anos.com.br


Poucos personagens marcaram a história de Guaíra de forma tão profunda quanto José Pugliesi Júnior, conhecido por todos como Minininho. Dono de um apelido curioso que contrastava com sua presença física e personalidade forte, ele construiu uma trajetória baseada no trabalho, na proximidade com a população e no amor pela cidade que ajudou a transformar.
Quem o conheceu costumava descrevê-lo como um homem decidido, de opiniões firmes e temperamento intenso. Apesar do jeito por vezes explosivo diante das injustiças, era reconhecido pelo bom humor, pela lealdade aos amigos e pela dedicação à família. O apelido surgiu como uma herança familiar: seu pai, José Pugliesi, conhecido como Nené Santana, havia sido chamado de Minininho na juventude, e o nome acabou passando para o filho.
Nascido em Guaíra, José Pugliesi Júnior passou a infância na Fazenda Matão, propriedade da família localizada nas proximidades da cidade. Foi ali, em meio à vida rural, que desenvolveu valores que o acompanhariam por toda a vida. Ainda menino, ajudava nos serviços do campo, cuidava dos animais e percorria as estradas da fazenda a cavalo. A convivência com o trabalho duro moldou seu caráter e fortaleceu sua ligação com as pessoas simples.
A adolescência trouxe mudanças importantes. Após estudar em Barretos, interrompeu os estudos para trabalhar e ajudar a família. A experiência no campo foi substituída pelas responsabilidades da vida adulta, mas o espírito trabalhador permaneceu intacto.
Em 1962, casou-se com Tereza Vannini Pugliesi, companheira que esteve ao seu lado durante toda a trajetória pessoal e política. O casal iniciou a vida juntos enfrentando dificuldades e construindo, com esforço diário, a base da família. Tereza recordava que os primeiros anos foram marcados por muito trabalho, especialmente nas atividades agrícolas, onde ambos dividiam responsabilidades para garantir o sustento da casa.
Um dos episódios mais dolorosos de sua vida ocorreu em 1968, quando seus pais sofreram um grave acidente automobilístico durante uma viagem. Seu pai morreu instantaneamente e sua mãe faleceu poucas horas depois. A tragédia deixou marcas profundas e contribuiu para despertar nele um senso ainda maior de responsabilidade com a comunidade.
Foi na década de 1970 que Minininho decidiu ingressar na vida pública. Sua primeira candidatura aconteceu em 1976, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Guaíra. Embora não tenha sido eleito naquela ocasião, a experiência serviu como aprendizado. Persistente, continuou participando da política local e ampliando sua presença junto à população.
Os anos seguintes consolidaram sua liderança. Depois de novas disputas eleitorais, conquistou a confiança dos guairenses e chegou à Prefeitura. Sua administração ficou marcada por um estilo simples e extremamente próximo das pessoas. Era comum vê-lo percorrendo as ruas da cidade logo nas primeiras horas da manhã, observando problemas, ouvindo moradores e acompanhando pessoalmente o andamento de obras e serviços públicos.
Durante sua gestão, Guaíra recebeu importantes investimentos em infraestrutura e desenvolvimento urbano. Entre as realizações destacadas por contemporâneos estão a construção do velório municipal, obras de contenção da erosão em áreas críticas, melhorias viárias e a ampliação de programas habitacionais que beneficiaram centenas de famílias. Seu governo também promoveu ações sociais e iniciativas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.
Amigos e colaboradores lembram que Minininho possuía uma rara capacidade de diálogo. Mesmo em um ambiente político frequentemente marcado por disputas, procurava construir pontes e aproximar grupos adversários em favor dos interesses da cidade. Essa característica ajudou a fortalecer sua imagem como líder conciliador e comprometido com o bem comum.
O reconhecimento popular alcançou seu ponto máximo quando voltou a disputar a Prefeitura e conquistou expressiva vitória eleitoral. A campanha foi marcada pelo entusiasmo de apoiadores e pela expectativa de mais um período de avanços para Guaíra.
Entretanto, quando tudo indicava o início de um novo capítulo em sua vida pública, o destino reservou um desfecho inesperado. Poucos dias após a eleição, Minininho começou a sentir-se mal. Exames revelaram uma doença grave, e ele iniciou imediatamente o tratamento. Apesar dos esforços médicos, seu estado de saúde piorou rapidamente.
Durante as festas de fim de ano de 2000, cercado pela família, ainda procurou manter a rotina e participar dos encontros tradicionais. Contudo, após um mal-estar, precisou ser internado em Ribeirão Preto. Mesmo lutando com determinação, não resistiu.
José Pugliesi Júnior faleceu em 6 de janeiro de 2001, aos 64 anos, sem conseguir assumir o mandato para o qual havia sido eleito mais uma vez pela população de Guaíra.
Sua morte provocou grande comoção. Amigos, correligionários, familiares e moradores da cidade prestaram homenagens a um homem que dedicou boa parte da vida ao serviço público. Para muitos, Minininho representava a figura do gestor presente, do trabalhador incansável e do cidadão que jamais perdeu o vínculo com suas origens.
Mais de duas décadas após sua partida, seu nome continua associado a um período importante da história de Guaíra. Seu legado permanece vivo nas obras realizadas, nas histórias contadas pelos que conviveram com ele e na memória coletiva de uma cidade que o reconheceu como um de seus mais importantes líderes políticos.
Fonte: Livro “Muito Além de Alfa” – Ovídio Nascimento
Para esclarecer dúvidas, fazer sugestões, críticas, elogios, contribuir com informações para o site, use nossos canais.